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Alimentação natural e vegetarianismo no esporte

27/03/2017

O vegetarianismo é um estilo de vida que, apesar do crescimento, ainda sofre bastante preconceito. As pessoas normalmente tem medo de abrir mão de determinados alimentos por pensarem que possam estar deixando de consumir certos nutrientes. “Muitas ‘verdades’ foram criadas, as pessoas acreditam nelas, mas não necessariamente foi a ciência que as trouxe”, deixa claro a nutricionista Alessandra Luglio.

 

Nossa alimentação é baseada na busca de eficiência em fornecer nutrientes para nosso corpo se manter equilibrado e saudável. O nutriente vem da ‘terra’, do alimento básico, a indústria processa e muitas vezes retira nutrientes através do refinamento e beneficiamento dos alimentos, ou seja, quanto mais próximo do alimento original e natural, mais fácil vai ser o acesso aos nutrientes, por essa razão, a alimentação natural e rica em alimentos vegetais acaba sendo mais nutritiva do que a alimentação convencional e industrializada seguida no mundo ocidental.

 

Em pesquisa recente do IBGE aproximadamente 8% da população brasileira se diz vegetariana, número expressivo para um país com a cultura brasileira e a se julgar que menos de uma década atrás esse número era menos da metade. Existem tipos diferentes de vegetarianismo:

 

Vegetariano “de verdade”
 

O vegetariano “verdadeiro” é aquele que não consome nenhum alimento de origem animal, tais como nenhum derivado do leite, ovos ou mel. No Brasil é chamado de vegano, mas a definição correta para o vegano vai além do consumo de alimentos, ele não usa nenhum tipo de material testado em animais, cápsulas que contenham corantes de animais, lã, algodão, couro ou qualquer produto que tenha algum tipo de ligação com animais.

 

Ovo lacto
 

É o mais popular no Brasil. É o vegetariano que não consome nenhum tipo de carne, mas não abre mão dos derivados de animais, como os laticínios, mel e ovos.

 

Por que as pessoas se tornam vegetarianas?
 

Antes de mais nada, por respeito e compaixão ao animal. Estudos comprovam que todos os seres são sencientes, ou seja, tem todas as sensações sinalizadas no cérebro. “Eles possuem sistema nervoso, sensibilidade, sentem medo, angústia, são seres como qualquer outro”, declara Alessandra Luglio.

 

Olhando pelo lado nutricional, a pessoa que escolhe o estilo de vida vegetariano naturalmente consome menos gorduras saturadas, menos agentes cancerígenos, micronutrientes e fitoquímicos, além de fibras comparados aos praticantes da alimentação onívora tradicional. “O aquecimento das carnes gera substâncias como as aminas heterocíclicas aromáticas, consideradas potencialmente cancerígenas segundo o INCA (Instituto nacional do câncer)”. E, por fim, 80% dos problemas ambientais que temos vividos estão ligados diretamente ou indiretamente a nossas escolhas alimentares. A produção de alimentos de origem animal são grandes responsáveis por esse desequilíbrio ambiental.

 

Vegetarianismo no esporte
 

É possível ser um vegetariano saudável, equilibrado e ter performance no esporte. Uma alimentação balanceada serve independente do modelo de dieta seguida. Um plano alimentar estratégico livre de alimentos de origem animal é capaz de garantir equilíbrio fisiológico fornecendo energia, nutrientes estruturais como as proteínas na quantidade adequada e todos aminoácidos essenciais, micronutrientes garantindo manutenção e ganho estrutural, além de performance nas mais diversas modalidades esportivas.

 

Nossas células não funcionam somente a base de carboidratos e proteínas, a interação com todos os outros nutrientes presentes em uma alimentação equilibrada é essencial para saúde e performance. Hoje vemos a nutrição esportiva sendo praticada de forma unilateral onde dá-se grande foco e importância a dupla de macronutrientes. Os fitoquímicos, por exemplo, não são muito levados em consideração por não fazerem parte da tabela nutricional convencional, mas a interação dos fitoquímicos das plantas com nossa saúde e performance é imprescindível no esporte e negligenciada por muitos.

 

A alimentação balanceada é baseada no aporte adequado de todos os nutrientes necessários: equilíbrio fisiológico e metabólico. O ser humano é uma máquina bioquímica, metabólica, fisiológica que depende de vários ingredientes.

 

De acordo com Alessandra Luglio, não existe corpo que funcione só para o esporte, precisa-se garantir base fisiológica, não vai funcionar com suplemento aqui, ativador metabólico ali. A nutrição esportiva é nada mais do que a verdadeira nutrição que busca equilíbrio fisiológico e metabólico gerenciando demandas aumentadas diretamente ligadas às necessidades do esporte.

 

O suplemento é uma ótima ferramenta para segregar nutrientes, separar a proteína, carboidrato e aminoácido, mas não deve servir como base de alimentação de alguém.

 

Em um estudo, 14 ciclistas recebem uma bebida isotônica com carboidrato a 6%, chegando a 26g de carboidrato. Outros 14 recebem bananas, que chegam a 27g de carboidrato. Após o exercício praticado em determinado tempo, a conclusão foi: tanto faz se você toma líquido com sacarose associado a dextrose, ou uma banana, ambos suportam a performance em termos de substratos energéticos. No caso, a escolha deve ser feita de acordo com a sensibilidade e o custo.

 

Esse estudo avaliou somente o aporte energético através de dois diferentes tipos de alimentos e não avaliou a interação com a performance de outros nutrientes envolvidos, como por exemplo os micronutrientes e fitoquímicos presentes naturalmente na banana. Certamente a avaliação do stress oxidativo nas mesmas condições do estudo demonstrariam vários pontos positivos nos indivíduos que consumiram a banana.

 

A proteína é importante para tudo, não só para o esporte, é o principal nutriente estrutural do nosso corpo. Está no tecido muscular, componentes sanguíneos e demais compostos orgânicos. Não temos estoque proteico, se a gente precisar de proteína, não suprir com a dieta, o corpo irá disponibilizar massa muscular para suprir tal demanda, o baixo consumo de proteína vai afetar o rendimento esportivo e gerar queda metabólica.

 

Quando garantimos a demanda de proteínas necessárias, nosso corpo trabalha 100% dentro do potencial regenerativo. O treino causa microlesões estruturais que devem ser reparadas com repouso dos praticantes, isso somente acontecerá na presença da quantidade e qualidade necessária de aminoácidos circulantes, fornecidos através de uma dieta equilibrada a base de proteínas animais e/ou vegetais. Diferente do que era pregado em décadas passadas, nosso corpo absorve muito bem as proteínas vegetais.

 

Para concluir, a American Dietetic Association (ADA), há anos em seu “guideline”, classifica como bem planejada a alimentação vegetariana estrita, assim como qualquer modelo alimentar.

 

Equilibrado e seguro para todas as fases da vida desde da gestação, o vegetarianismo estrito é um modelo alimentar preventivo de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, doenças crônicas não transmissíveis com índice elevado de mortes em todo o mundo. A ADA relata que vegetarianos estritos devem somente monitorar os níveis de vitamina B12 e suplementar sempre que necessário.

 

 

Fonte: Palestra Esp. Alessandra Luglio – Arnold Conference 2016

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Nutricionista Esportiva graduada pelo Centro Universitário São Camilo com extensão em Home Care e Neurobiologia da Ingestão de Alimentos, especialista na área de Obesidade e Emagrecimento pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Certificada em Advanced Nutrition Specialist pela IFBB Academy.
Palestrante em diversos eventos e docente do curso técnico do Hospital Israelita Albert Einstein.
Dra. Isabelle Zanoni
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